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Núcleo Zélia

Apresentação de Zélia Monteiro e do Núcleo dirigido por ela

Lançamento da revista “Sobre o Imprevisível” e do site do Núcleo de Improvisação.
Hávera ainda uma “Improvisação” com a bailarina Zélia Monteiro*, o músico Manuel Pessôa e o artista plástico Paulo Von Poser.

Dia 01 de dezembro às 20h

Local: SESC Pinheiros
2º andar – sala de leitura
Rua Paes Leme, 195 (Estação de metrô Faria Lima).

Espetáculos Imprevisíveis

Dia 02 a 05 de dezembro
Quinta a sábado às 21h. Domingo às 18h

Local: SESC Pinheiros
2º andar – sala de leitura
Rua Paes Leme, 195 (Estação de metrô Faria Lima)

Tel: 11 3095-9400

www.sescsp.org.br

e-mail: email@pinheiros.sescsp.org

Nota: Eu assisti “6 Estudos para Flutuar”da Zélia e foi uma expriência incrível. Saí do TD (Teatro de Dança) leve, emocionada… creio que flutuei um pouco com ela!

* Zélia Monteiro é bailarina e professora desde 1977, estudou dança clássica com Maria Melô (Scalla de Milão) e tornou-se sua assistente em 1985. Dançou com Célia Gouvêa trabalhou por oito anos com Klauss Vianna, de quem também foi assistente. Participou de seu grupo de pesquisa e criação e a partir dessa experiência intensificou seu trabalho no sistema didático criado por ele, realizando trabalhos pelos quais foi premiada em 1987 (APCA), 1988 (Lei Sarney) e 1992 (APCA). Em 1993 recebeu a Bolsa Vitae de Artes para pesquisa coreográfica realizada em Paris, onde residiu e trabalhou por quatro anos.
Trabalhou com Mme. Marie Madelaine Béziers (coordenação motora), Mathilde Monnier (dança contemporânea), Peter Goss (dança contemporânea/Feldenkrais), Yvonne Berge (improvisação para crianças), Dariá Faïn (Mathias Alexander) entre outros. Em novembro de 1994 criou Marche com Duda Costilhes, apresentado no Théâtre Dunois. Em abril de 1995 dançou no Regard du Cygne a coreografia Le long de… de Dariá Faïn. De volta ao Brasil em 1997 trabalhou com Ivaldo Bertazzo, e em 1998 recebeu o prêmio A.P.C.A. como melhor bailarina intérprete.
Desde 1998 coordena um grupo de pesquisa em improvisação. Em 1999 tornou-se professora do curso de Comunicação e Artes do Corpo na
Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC/SP. Em 2005 recebeu o Prêmio Estímulo à Dança da Secretaria de Estado da Cultura/SP espetáculo ASCESE juntamente com Wellington Duarte. Em abril de 2006 recebeu o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna da FUNARTE, para realização de pesquisa. Em dezembro de 2006 recebeu o Prêmio PAC Circulação, da Secretaria de Estado da Cultura – SP, para tournée de espetáculo. Em fevereiro de 2007 criou o solo Improvisação para música e dança, apresentado no Panorama SESI de Dança (SP).

 

Referência:

http://www.jornaldasartes.blogspot.com

Pé

Nomenclatura dos ossos dos pés

“Só quando descubro a gravidade, o chão, abre-se espaço para que o movimento crie raízes, seja mais profundo, como uma planta que só cresce a partir do contato íntimo com o solo. Só dessa forma surge a oposição, a resistência que vai abrindo espaço entre os ossos,  seguindo sua direção nas articulações. À medida que vou sentindo o solo, empurrando o chão, abro espaço para minhas projeções internas , individuais, que a medida que se expandem, me obrigam a uma projeção para o exterior”. É com este trecho do livro “A Dança” de Klauss Vianna, que abro este post destinado à importância do trabalho e colocação dos pés durante a aula.

Aprendi que os pés devem procurar se abrir no solo, como raízes profundas na terra. E os apoios estão concentrados em três pontos básicos: na região do Metatarsal I , Metatarsal V e no Calcâneo. O Cubóide também tem participação importante, pois ao imprimir peso nessa região, impedimos que o arco do pé caia para frente e acentua-se o en dehors. É o que muitos professores estão querendo explicar quando dizem: Use a borda externa do pé!

No dia a dia da sala de aula três ou quatro exercícios de nível básico proporcionam (quando bem executados) um excelente trabalho de fortalecimento e abertura das articulações dos pés. Para começar recomendo chegar um pouco antes do horário e massagear os pés. Para isso pode-se utilizar uma bolinha resistente, ou mesmo as mãos. Uma dica muito interessante é massagear e tentar ganhar mais espaço entre os Cuneiformes Medial, Intermédio, Lateral e Metatarsal V, seguindo pelos ossos Metatarsal, até a ponta dos dedos. Massagear o Calcâneo também ajuda a aquecer a região.

Trabalho de pé

Trabalho de articulação do pé para chegar às pontas

Normalmente no início das seqüências de chão trabalho exercício de flexão/extensão (ou flex and point como é chamado pelo método Royal) com rotação en dehor/en dedan e (claro) passagem pela meia-ponta. Já na barra e no centro battements tendus trabalham as articulações e exigem percepção sobre transferência de peso. Abro um parêntese para o mestre Klauss: Os ossos representam papel importante no sentido de controle e na posição de cada homem no mundo. Através deles cada um de nós  determina seu grau de segurança, buscando continuamente o ritmo do movimento. Mecânica, fisiológica e psicologicamente o corpo humano é compelido a lutar por equilíbrio”. Por isso os três pontos básico já especificados devem estar acionados durante este exercício, pois só assim será possível encontrar equilíbrio para realizar a transferência de peso.

Já os glissés e petit jetés auxiliam o trabalho de meia ponta/ponta, fortalecendo o cou de pied (colo de pé) e exigem maior elaboração sobre transferência de peso e uso do cubóide, visto que a passagens de uma posição à outra é feita de maneira mais rápida e enérgica. Creio que detalhes sobre cada um destes movimentos e de tantos outros, poderão ser melhor discutidos em um futuro post.

Ainda assim muitos bailarinos (alguns com anos de experiência em dança) deixam passar batido esse trabalho de pés, tão básico quanto feijão com arroz. Preocupados em realizar logo um grand jetté, pirouettes ou fouettés se esquecem dos pontos de apoio e apresentam movimentos “sujos” e imprecisos. Muitas vezes para realizar um salto a tensão (e atenção) é colocada no estiramento do músculo do pescoço. Mas e os pés? É justamente sua passagem pelo chão que vai proporcionar o impulso necessário. Sobre isso Klauss Vianna escreveu: “É preciso reconhecer o local do corpo onde surge a oposição a força que vem do solo: geralmente se situa em ponto em que nossa tensão é mais freqüente. Ombros, língua, mãos, boca, coluna cervical, diafragma. É nesse ponto de tensão que acabamos colocando nosso equilíbrio – quase nunca nos pés. (…) andamos em cima dos ombros, corremos com a língua: a força está sempre concentrada nas partes erradas. O pé também denuncia nossa relação com a vida, ao pisarmos brigando com o solo, ou ignorando-o, deslizando aéreos, indiferentes.”

Exercícios, estudo de anatomia, fisiologia, massagem. Pra que tudo isso? Para saber que temos pés! Isso ai! Quando trabalhamos os pés através de exercícios de sensibilização, toque, fortalecimento de articulações e músculos, ampliamos sua mobilidade. O esforço repercute sobre todo o corpo e descobrimos: Temos pés!

Referência:

VIANNA, Klauss. A Dança. São Paulo: Siciliano, 1990.

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