Arquivos para o mês de: dezembro, 2010
Anna Pavlova

Anna Pavlova em "The Dragonfly" (1914)

Faço minhas as palavras de André Levison em seu estudo sobre Anna Pavlova: “À dança clássica dessa época anêmica, extenuada à força de tanta inútil virtuosidade, Pavlova injeta um frisson desconhecido da nova arte da dança. Ela transfigura “ballets d’action” inanimados quase um século; ela revive ficções vetustas, criadas pela imaginação do romantismo e as recria (…) Assim, ela fazia o milagre de revelar o imprevisto. La danse de toujours, dansée comme jamais!” (A dança de sempre, dançada como nunca!).

E pensar que o início de carreira de Anna Matveievna Pavlova (1881-1931) ocorreu quase por acaso. Quem revela dos bastidores de São Petesburgo é Pierre Michailowisky, seu contemporâneo no Ballet Imperial e posteriormente professor no Rio de Janeiro.

La Bayadere

Pavlovtzi em La Bayadere, 1902

Segundo Michailowsky a Escola Impreial de Ballet preparava-se para seu espetáculo anual, evento de grande importância, pois servia como exame artístico dos alunos, (muitos acabam o curso e ingressam no Ballet Imperial) e também porque este espetáculo sempre era assistido pelo Czar, sua família e toda a côrte, bem como por alguns críticos de dança. Porém, uns 15 ou 20 dias antes do evento adoeceu a primeira bailarina, Stasia Belínska. Bela e graciosa, já estava predestinada a ocupar um lugar de destaque no Ballet Imperial. Como substituí-la? O então professor P. A. Herdt, que era o responsável por preparar as futuras primeiras bailarinas, fixou-se numa jovem aluna sua, magrinha e original, mas que não estava (ainda) há altura de Belínska, Anna Pavlova! Após uma preparação intensa ela não só salvou o espetáculo, como causou verdadeira sensação nos espectadores, sendo parabenizada pelo Czar, grãos-duques, porfessores e críticos.

Pavlova

Pavlova em La Fille Mal Gardee, 1910

Infância

Nascida em uma família de camponeses pobres, dizem que Pavlova não gostava de falar de seu pai, quando questionada sobre, respondia que ele morreu quando ela tinha 2 anos de idade. Mas a verdade é que sua mãe a criou sozinha, portanto era filha de mãe solteira. Aos 8 anos, como presente de aniversário vai assistir ao espetáculo de ballet “A Bela Adormecida” no teatro Mariinsky. Emocionada decide dedicar-se à dança. Para isso, Pavlova tentou ingressar na Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, mas foi rejeitada devido a sua idade e baixa estatura. Persistente, em 1891, aos 10 anos, ela finalmente conseguiu ingressar na academia.

Carreira

Em sua formação, teve aulas com os mais famosos professores da época: Pavel Gerdt, Christian Johansson, Ekaterina Vazem, Nikolai Legat. Graduou-se em 1899 aos 18 anos de idade, em episódio já descrito aqui. A conseqüência foi sua entrada no corps de ballet do Ballet Imperial Russo de São Petersburgo. Logo caiu nas graças de Marius Petipa, conseguindo posições de destaque cada vez maior, pois em 1902 já era segunda solista e em 1905 première danseuse, consequentemente em 1906 se torna prima ballerina.

No final do séc. XIX o ideal da bailarina era ter corpo compacto e musculoso, para poder atender aos requisitos de técnica e performance nas danças. Anna Pavlova mudou esta visão. Por sua figura feminina, graciosa e delicada e por seu modo personalíssimo de dançar (tinha um jeito especial de executar o en pointe, que na época causou polêmica, mas que com o passar do tempo tornou-se padrão), começou a ganhar destaque nos balés em que atuava e a arrebanhar fãs entusiastas. Para a legião de fãs ela era a Pavlovtzi.

Em 1908 estreou no Théatre du Châtelete (Paris) com o Ballets Russes de Serguei Diaghilev, que encontrou em Michel Fokin, total apoio para sua proposta de renovação no ballet. Neste período também surgia Nijinsky (considerado o máximo expoente da dança masculina) com quem encena o ballet Les Shylphides. Também nesta temporada dança o ballet Cleópatra, tendo como partner o prórprio Fokine. Em 1910, apresenta-se no Metropolitan Opera Houes, em New York, no ballet Coppelia. Pavlova apresentou-se com a companhia de Diaghilev até 1911 e dividia seu tempo entre estas turnês e as apresentações no Mariinsky. Já em 1913 ela decide deixar o Ballet Imperial e passa a apresentar-se empresariada por Victor d’Andre (com quem vem a se casar em 1924). Sua última apresentação nesta companhia foi La Bayadere.

Pavlova em 1900

Anna Pavlova em The Awakening of Flora, 1900

Em 1914, ela deixa a Rússia definitivamente e se muda-se para Londres, era o início da Primeira Guerra. Neste período conturbado Pavlova excursionou com frequência nos Estados Unidos, Ásia, Oriente e África do Sul. Ah! Ela já esteve no Brasil! A primeira vez foi em 1918, no Teatro da Paz em Belém do Pará. Também se apresentou no Teatro Municipal de São Paulo e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1920.

O Último Compasso

Sua morte também ficou guardada na história, segundo pesquisadores de sua biografia, no período de natal de 1930 Pavlova tira algumas semanas de descanso de uma turnê que realizava pela europa. Na volta ao trabalho, em uma cidade da Holanda, o trem em que estava foi obrigado a parar devido a um acidente ocorrido próximo à linha. ela resolver descer para ver o que havia acontecido, mas vestia roupas muito leves (um fino casaco sobre uma camisola de seda) e foi caminhando pela neve. Dias mais tarde, Pavlova foi acometida de forte pneumonia. Tempos depois, morre de pleuris no dia 23 de janeiro de 1931, no auge da fama e próximo de completar seus 50 anos. Segundo testemunhas, suas últimas palavras após pedir para que lhe preparassem o seu traje de “A Morte do Cisne” foi: “Execute o último compasso bem suave…”.

Pavlova viveu para sua dança e segundo ela mesma seu sucesso era aoenas fruto do seu intenso trabalho. “Os meus triunfos devem ser atribuídos ao meu estudo e incansável labor”, dizia ela. Também afirmava sua busca por excelência em cada papel: “O único ideal da minha vida é aspirar sempre e sem tréguas ao Ideal!”.

Enquanto Isso na Sala de Ballet…

Dizem que o ballet é difícil e muitas vezes ficamos sem paciência quando aquele passo que o professor explicou, não sai de jeito nenhum! Que tal buscar inspiração nesta musa da dança? Anna Pavlova trabalhou duro até às vésperas de sua doença, mesmo tendo reconhecimento internacional como “a maior de todos os tempos”.

E para aqueles que ainda duvidam do potencial das bailarinas adultas, os críticos diziam que ela estava no auge aos 50 anos!

Mas, o que fez Pavlova destacar-se tanto assim? Seu apuro técnico? Com certeza, mas também sua capacidade criativa e sua fina percpção artística, transportanto a inovação de Isadora Duncan para o ballet clássico nos movimentos de braços de seu célebre Cisne e acreditando na vontade de renovação de Fokine e Diaghilev.

Deixo vocês com o solo mais divulgado de todos os tempos e na minha opnião, o mais bonito também. Criado especialmente para ela, este solo é considerado por muitos a encarnação do ballet:

Anna Pavlova em “La Mort du Cygne” (Vídeo YouTube)

Ana Pavlova Cisne

La Mort du Cygne

Referências:

MICHAILOWSKY, Pierre. A dança e a Escola de Ballet. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1956.

PORTINARI, Maribel. História da Dança. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S.A., 1989.

Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anna_Pavlova

Núcleo Zélia

Apresentação de Zélia Monteiro e do Núcleo dirigido por ela

Lançamento da revista “Sobre o Imprevisível” e do site do Núcleo de Improvisação.
Hávera ainda uma “Improvisação” com a bailarina Zélia Monteiro*, o músico Manuel Pessôa e o artista plástico Paulo Von Poser.

Dia 01 de dezembro às 20h

Local: SESC Pinheiros
2º andar – sala de leitura
Rua Paes Leme, 195 (Estação de metrô Faria Lima).

Espetáculos Imprevisíveis

Dia 02 a 05 de dezembro
Quinta a sábado às 21h. Domingo às 18h

Local: SESC Pinheiros
2º andar – sala de leitura
Rua Paes Leme, 195 (Estação de metrô Faria Lima)

Tel: 11 3095-9400

www.sescsp.org.br

e-mail: email@pinheiros.sescsp.org

Nota: Eu assisti “6 Estudos para Flutuar”da Zélia e foi uma expriência incrível. Saí do TD (Teatro de Dança) leve, emocionada… creio que flutuei um pouco com ela!

* Zélia Monteiro é bailarina e professora desde 1977, estudou dança clássica com Maria Melô (Scalla de Milão) e tornou-se sua assistente em 1985. Dançou com Célia Gouvêa trabalhou por oito anos com Klauss Vianna, de quem também foi assistente. Participou de seu grupo de pesquisa e criação e a partir dessa experiência intensificou seu trabalho no sistema didático criado por ele, realizando trabalhos pelos quais foi premiada em 1987 (APCA), 1988 (Lei Sarney) e 1992 (APCA). Em 1993 recebeu a Bolsa Vitae de Artes para pesquisa coreográfica realizada em Paris, onde residiu e trabalhou por quatro anos.
Trabalhou com Mme. Marie Madelaine Béziers (coordenação motora), Mathilde Monnier (dança contemporânea), Peter Goss (dança contemporânea/Feldenkrais), Yvonne Berge (improvisação para crianças), Dariá Faïn (Mathias Alexander) entre outros. Em novembro de 1994 criou Marche com Duda Costilhes, apresentado no Théâtre Dunois. Em abril de 1995 dançou no Regard du Cygne a coreografia Le long de… de Dariá Faïn. De volta ao Brasil em 1997 trabalhou com Ivaldo Bertazzo, e em 1998 recebeu o prêmio A.P.C.A. como melhor bailarina intérprete.
Desde 1998 coordena um grupo de pesquisa em improvisação. Em 1999 tornou-se professora do curso de Comunicação e Artes do Corpo na
Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC/SP. Em 2005 recebeu o Prêmio Estímulo à Dança da Secretaria de Estado da Cultura/SP espetáculo ASCESE juntamente com Wellington Duarte. Em abril de 2006 recebeu o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna da FUNARTE, para realização de pesquisa. Em dezembro de 2006 recebeu o Prêmio PAC Circulação, da Secretaria de Estado da Cultura – SP, para tournée de espetáculo. Em fevereiro de 2007 criou o solo Improvisação para música e dança, apresentado no Panorama SESI de Dança (SP).

 

Referência:

http://www.jornaldasartes.blogspot.com